ODE AO QUE FLUI
Hoje acordei chorando.
Nadava. Não posso mais.
Banhava-me numa cachoeira.
Não mais posso.
A cadeira de rodas censura meu corpo.
Mas minha mente flui, movimenta-se nada nos sentimentos.
E meu choro dedico a ti que busca no mapa da vida
Em nublada face,
O mito da perene felicidade.
A vida é um instante onde convivem alegria e tristeza,
Somos todos, andarilhos do espírito,
E não há estado de espírito que dure mais do que um gole de vinho.
E o que é o vinho comparado a brisa que refresca sua face,
A umidade que banha seus pés, as ondas que beijam suas pernas,
Ou mesmo a ferida na carne que insiste em sangrar,
A dor de uma porta estalando seu mindinho,
ou mesmo a tristeza da morte que nunca avisa sua chegada?
Tudo ou mesmo o nada nos devolve à Terra e nos torna sementes
De uma outra vida.
E meu pranto na verdade, é uma ode à você,
meu irmão, meu cúmplice, parceiro que flutua no Inefável.



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Mande fumo pro Curupira