DIÁRIO DE UMA CIDADE DADÁ

"A cidade pode ser dura, mas você não precisa atravessá-la sozinho. Se precisar de uma escuta real além do papel, ligue 188." DIÁRIO DE UMA CIDADE DADÁ II                  I Meu pai diz que não estou pensando em suicídio. Minha mãe corta suas unhas em silêncio com um grande alicate. TEC-TEC-TEC Ele baixa o jornal para me olhar: --- Exagero de psiquiatra - conclui. Olho para a ponta inoxidável do alicate. TEC-TEC-TEC Minha jugular pulsa: TEC certeiro E ponto final Só por pirraça. TEC-TEC-TEC Unhas voam pela sala. Acendo o cigarro num sorriso amarelo, O Ministério da Saúde adverte: Suicídio Zen. II Em casa, 11:30.  Altos falantes anunciam --- Troque sua telesena velha por dois algodão-doce! Penso no meu amor. Vontade de levar todos os Hen-Kai das bancas Pra jogar tesão no computador. Sem a menor vergonha. Pornografia para aliviar vulcões em extinção. III Noite triste A cidade em luzes Promete e não cumpre IV 00:00 Zerei. Agora sou a cidade. Vil e cansado. O resto. Ostra com uma pérola de Cloridrato de bupropiona Divalproato de sódio Clonazepan e Mojitos. Fecho-me em ♥                V INTERLÚDIO --- A sua beleza é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão (Zeca Baleiro) YEAH! --- Vc não precisa de otras cositas más, baby AHAM- HUM HUM. Maquiagem foi feita prá ser borrada! --- Cooongoo Bluueeeeeeee!!!!!!! YEAH! You know all that and more from beyond.                   VI 04:00 Um china pirado perturba nosso amor  com um filme de terror. Ela me diz que é possível fazer um documentário Com os mortos que ocuparam uma cadeira de rodas Minha cabeça explode. Apago. Zerozen do sono.                 VII Darth Vader matou todos os suicidas, meu pai.

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