DE BELOS, LUZ, SOMBRAS E OS HORRÍVEIS
Sobre esta postagem: A arte serve para dar forma aos nossos abismos, mas ela não substitui o cuidado com a vida. Este poema é um estudo sobre a solidão e o absurdo. Se a escuridão descrita aqui ressoa em você de forma dolorosa, por favor, procure canais de apoio especializados. Falar é sempre a melhor solução. O CVV atende 24h pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br.
Eu deveria gritar.
Muito.
Mas se os anjos,
Não ouviram Rilke,
Por que me ouviriam?
Rilke tinha uma voz potente.
Que os belos e terríveis,
Num ruflar de asas ignoraram.
Talvez, em sua última frase,
‘Luz, mais Luz”,
Tenham sido compassivos.
Mas minha voz é fraca,
Gemido em jejum,
E os horrendos e complacentes,
Ecoam sussurros
Em minha agonia.
Eu deveria gritar.
Muito.
Mas só me ouvem aqueles
Que, num beijo canino,
Sugerem:
Trevas, mais Trevas
Ahahahaha….
Como se as minhas
Não bastassem...



Comentários
Postar um comentário
Mande fumo pro Curupira