ADEUS, O MONSTRO ME AGUARDA

Quero dormir. Não mais acordar. Para que: Já disse todas as palavras. As que ferem e as que curam. Agora prefiro o silêncio. O fim. Daquilo que disse, E do que não mais direi. De tudo o que fiz, Não restou nada, Somente o abandono, Monstro insaciável, Que finalmente, de mim, Poderá se alimentar. Parto. Por favor, Não mais me acordem. Não me honrem. Não me velem. Não me enterrem. Eu não valho a pena. E, caso, um dia se lembrem de mim, Esqueçam-se no mesmo segundo. A lembrança é uma forma De saber que vivo em você. E isso é algo que não mereces. Portanto esqueçam-me. Eu não valho a pena, E não valho nada. Nem mesmo a inútil autopiedade, Deste fatal último poema….

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