COMO FERRAR SEU PSIQUATRA
Eu entrei no consultório psiquiátrico puto da vida. Mal olhei para Carol, minha médica.
Nem disse que estava tudo bem.
--- Está uma merda.
As recepcionistas fizeram “Ohhhhh”
A doutora fez cara de bosta.
Pensei comigo: vou devorar essa loira mal comida.
Dormia a uma semana sem parar, estava barbudo, mal conseguia abrir os olhos, o corpo mole, impaciente.
Só o ódio me mantinha acordado.
Estava intoxicado da intensa química que a profissional insistia em encher meu pobre organismo.
E farto disso.
Pensei comigo mesmo para entrar desarmado para a consulta.
Mas não consegui.
Já saí chutando:Essa química tem que diminuir radicalmente.
OhOhOh fez a doutora.
Debrucei bem na frente dos seus olhos com meus olhos semi-cerrados meio assassino meio maconheiro:“Eu não vivo, só durmo, não tenho foco em nada, não consigo nem ver um filme.”
OhOhOh fez a psiquiatra.
Desde que você aumentou a química não consigo viver. A química tem que ser minha parceira e não minha prisão.
OhOhOh.
Daí ela tomou coragem.
--- É preciso te equilibrar…
--- E isso por acaso é equílibrio?
E apontei a cara de zumbi baboso e sonolento.
Daí ela veio com essa:
--- Você não sabe viver sem euforia.
Ri
--- Quem é você para me falar isso. Você não me conhece, e, pelo visto, nem quer me conhecer.
OhOhOh
--- Mas, você tem que ver que é bipolar e precisa de um certo grau de contenção.
--- Então, por ser bipolar, não tenho direito a uma vida plena? É isso? Interessante, há outras linhas de pensamento mais modernas do que a obsolescência dessa ideia que posso procurar.
--- Você tem que entender que não foi internado uma vez sequer esse ano, com essa química.
Ri alto.
Bati na mesa dela com o punho cerrado.
“E a senhora não conta o meu esforço p me harmonizar, para ficar lúcido no meio de situações familiares absolutamente contrárias ao que penso? Interessante. Justamente por isso recebi alta da psicóloga.
Agora se você acha isso, não temos mais nada para conversar.”
Virei e saí do consultório sem nem olhar para trás.
A doutora me chamou de volta desesperada.
Baixou a química.
Cabeça baixa e rabo entre as pernas.
Eu peguei as receitas e voei para fora daquele prédio sem nem pagar a consulta.
Muito menos voltar.
Ela, de vez em quando, tenta me cobrar.
Eu só digo que pago em remédios para ela experimentar o próprio veneno.
Depois de um tempo ela me deixou em paz.
E soube que foi internada na própria clínica em que trabalhava.
Enfim…
A maluca surtou!



Topppp
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